Siga La Pelota: A relação de respeito entre torcedores no estádio

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A idolatria pode levar ao respeito entre torcidas. Na noite de ontem (07), no empate de 2 a 2 entre River Plate e Internacional, os torcedores argentinos se puseram de pé para aplaudir um jogador colorado.

Andrés Nicolás D’Alessandro, cria do Monumental e ídolo em Porto Alegre, antes mesmo de iniciar o jogo foi ovacionado pela torcida do time da casa ao ter seu nome anunciado nos alto falantes de Nuñez. Ao final do segundo tempo, mesmo com o time sendo derrotado pelos visitantes, os torcedores do gallinero aplaudiram de pé a entrada do Cabezón. Em um momento especial da história entre brasileiros e argentinos no torneio continental, o ídolo de duas nações teve seu nome cantado em coro pelas duas torcidas. Os gritos de “D’Alessandro e dale D’Alessandro” ecoou pela beira do Rio da Prata.

As famosas brigas, provocações e discussões entre brasileiros e argentinos foram deixadas de lado. Unidas por um ídolo, uma espécie de embaixador millonario em Porto Alegre e colorado em Buenos Aires, as duas torcidas civilmente uniram-se em respeito ao craque. Isso me fez pensar sobre o respeito em estádios de futebol.

No trágico acidente aéreo da Chapecoense em 2016, as torcidas do Brasil inteiro se uniram entoando apenas um canto universal, o famoso “Ô, vamo, vamo Chape”. Após o acidente no Ninho do Urubu no início deste ano, as quatro grandes torcidas do Rio também se uniram. Todos os anos os rivais (literalmente vizinhos) Everton e Liverpool se unem em homenagem às vítimas da tragédia de Hillsborough. Esses são alguns exemplos em que o time, a cor da camisa, o nome no distintivo e a história individual são deixados de lado por seus torcedores, unidos pela humanidade que existem neles. Belo gesto, mas ainda assustador.

É necessária uma tragédia para gerar o respeito entre dois adversários nas arquibancadas? É preciso ter um ponto em comum, como um ídolo ou a própria humanidade, para que as pessoas não saiam atirando pedaços de ferro umas nas outras? Não, né.

Essa rixa não é exclusiva de torcidas adversárias. Acontece com gente que veste o mesmo uniforme. Acontece no trânsito. Acontece no supermercado. Acontece desde sempre, em todos os lugares possíveis.

Você, torcedor esquentadinho que está lendo, não precisa amar a outra pessoa. Não precisa ter algo em comum dentro do âmbito futebolístico, além da paixão pelo esporte. Não precisa abraçar e nem levar para casa o torcedor que está apoiando o time adversário. Você precisa apenas respeitar e entender que você não está certo e nem ele errado.

Os estádios precisam voltar a serem seguros para os pais e mães levarem seus filhos em um domingo à tarde. Precisa voltar a ser hostil apenas para os jogadores rivais – por via de apoio ao time da casa, sem ofender ou lesionar ninguém. Por muita felicidade, aos poucos vemos isso acontecendo novamente. Não estamos prontos, mas chegaremos lá. Espero.

GABRIEL LEMOS

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